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Agostinho da Silva

Pensamento do Dia




“Não force a arte, não force a vida, nem o amor, nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre e lança no solo as suas sementes fecundas. Que não haja em si, no anseio de viver, nenhum gesto que lhe perturbe a vida.

(in "Sete Cartas a um Jovem Filósofo")

= Agostinho da Silva, filósofo, poeta, ensaísta e pensador português nascido em 13 de Fevereiro de 1906 =


Padre António Vieira

Pensamento do Dia




“Os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Porquê? Ou porque o que amam não é o que cuidam; ou porque amam o que verdadeiramente não há.

Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros; quem ama defeitos cuidando que são perfeições, perfeições ama, e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmeza, e amais vidros de fragilidade: cuidais que amais perfeições Angélicas, e amais imperfeições humanas.

Logo os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há; porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam, e o que se imagina, e não é, não o há no mundo.

in "Sermões"

= Padre António Vieira, religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Nasceu em 6 de Fevereiro de 1608.=

Bob Marley

Pensamento do Dia



“É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem, que não conhecem a dor da derrota nem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, no final da sua jornada na Terra não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante Ele por terem apenas passado pela vida.”


= Bob Marley, músico, guitarrista e compositor jamaicano nascido em 6 de Fevereiro de 1945 =

Imagem: Wikipedia, a enciclopédia livre

2017 - Ano do Galo - 28 de Janeiro




28 de Janeiro de 2017 - Tem início o Ano do Galo de Fogocorrespondente ao ano 4715 da Era Chinesa ou Calendário Lunar Chinês.
As festividades deste Novo Ano Lunar Chinês prolongar-se-ão até ao próximo dia 18 de Fevereiro.

O Ano do Galo prolonga-se até 12 de Fevereiro de 2018.

     A tradição chinesa diz que existem cinco elementos (Metal, Água, Madeira, Fogo e Terra) que se associam ao animal do ano. 2017 será o ano do Galo de Fogo, que regressa após 60 anos. As cores da sorte do Galo são o dourado, castanho amarelo e amarelo-acastanhado. Deve evitar o verde e o branco.
Para o ano de 2017, a cor da sorte, a nível geral, é o vermelho.
As previsões são baseadas na astrologia chinesa, com os seus cinco mil anos de existência.

O Galo é o décimo signo na astrologia chinesa.
O signo chinês do Galo simboliza rectidão, honestidade, coragem, ímpeto e ambição. Estas características devem guiar-nos em 2017, já que estaremos sob a influência deste signo.
Mas para termos uma ideia mais precisa de como será o ano do Galo, precisamos compreender que, apesar desta imagem de altivez, segurança e até de uma certa agressividade, no fundo o Galo guarda uma personalidade um tanto o quanto conservadora e metódica. Basta lembrarmos, que ele canta anunciando o raiar do dia, todos os dias, como se esta fosse a sua grande obrigação.
No ano do Galo é possível que muitas oportunidades surjam, mas será necessário analisá-las com minúcia e atenção antes de decidir aproveitá-las. Cuidado com a impulsividade! Para que os projectos tenham êxito num ano regido pelo Galo, é indicado que estes sejam benéficos não só para você, mas para todos, pois o Galo traz consigo esta responsabilidade inerente a um líder. De qualquer maneira, num um ano do Galo os projectos, uma vez escolhidos, tendem a ser realizados com êxito, pois a energia para o trabalho deste signo, aliada ao seu lado agressivo e impetuoso, costumam actuar de forma positiva para o êxito de qualquer empreendimento. O grande conselho é para que aproveitemos a corajosa energia que o Galo nos traz para impulsionarmos a nossa vida. Este pode ser um ano para sair da estagnação.
Força, coragem, honestidade, resistência, perseverança. Estas serão as palavras de ordem para o ano de 2017, quando estaremos sob a incontestável energia do Galo!

As pessoas do signo do Galo caracterizam-se por serem corajosas, honestas e cheias de ambição. Este ano estará, assim, contagiado com esta energia dinâmica, de mudança, de novas ideias e de oportunidades. Será um ano para quebrar barreiras, perder o medo, ser uma pessoa destemida e em busca do seu destino. 2017 exigirá muito esforço das pessoas para atingirem os seus objectivos. Todos estarão desejando o mesmo: o sucesso pessoal e profissional e estarão, em maior ou menor grau, contagiados com a energia intensa do Galo. Por isso, se você quer ter sucesso e atingir os seus objectivos em 2017, terá a energia do Galo a seu favor, mas precisa de muita dedicação para enfrentar a concorrência.

FELIZ ANO NOVO !

Cortesia de:

Somerset Maugham

Pensamento do Dia




“Uma coisa interessante na vida é que se nos recusarmos a aceitar algo que não seja o melhor, na maior parte dos casos conseguimos mesmo esse objectivo.




= Somerset Maugham, escritor, romancista e dramaturgo britânico nascido em 25 de Janeiro de 1874 =

Imagem: Wikipedia, a enciclopédia livre

Umberto Eco

Pensamento do Dia




“Justificar tragédias como "vontade divina" tira da gente a responsabilidade pelas nossas escolhas. Nem todas as verdades são para todos os ouvidos, nem todas as mentiras podem ser reconhecidas como tais.”



= Umberto Eco, escritor, filósofo, linguista, ensaísta, bibliófilo e pensador italiano nascido em 5 de Janeiro de 1932 =

Imagem: Wikipedia, a enciclopédia livre

Mauritânia

الجمهورية الإسلامية الموريتانية
(al-Jumhūriyyah al-ʾIslāmiyyah al-Mūrītāniyyah)
République Islamique de Mauritanie
República Islâmica da Mauritânia


Bandeira
Brasão de Armas


















Localização:
África, África ocidental.
Magrebe árabe (conjunto dos países que constituem a parte mais ocidental do mundo árabe).


Origem / Pequeno resumo histórico:
Do Século V ao Século VII, a migração de tribos berberes do Norte da África expulsou da região os bafours, habitantes originais da actual Mauritânia, ancestrais dos soninquês. Os bafours eram primordialmente agricultores, e estavam entre os primeiros povos do Sahara a abandonar o seu estilo de vida tradicionalmente nómada.
A colonização francesa absorveu os territórios da actual Mauritânia e Senegal a partir do início do Século XIX. A dominação francesa trouxe proibições legais contra a escravidão e colocou um fim às guerras entre os diferentes clãs. Durante o período colonial a população continuou nómada. Diversos povos sedentários, cujos ancestrais haviam sido expulsos há séculos atrás, começaram a regressar aos poucos à Mauritânia. Quando o país obteve sua independência, em 1960, e a capital, Nouakchott, foi fundada no local duma pequena aldeia colonial chamada Ksar, 90% da população ainda era nómada.
Em 6 de Agosto de 2008 ocorreu um golpe militar que depôs o governo civil eleito democraticamente. Em 2007 o Presidente e o primeiro-ministro eleitos foram presos.
A tensão étnica e a questão delicada da escravidão - tanto no passado como no presente - ainda é um tema de muita força no debate político nacional. Um número significativo de pessoas de todos os grupos parece procurar uma sociedade mais diversa e pluralista. Foi também o último país a abolir a escravidão no mundo, em 9 de Novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234.
Embora ilegal, a escravidão é, até hoje, uma prática comum no país.



Montanhas da região de Adrar


Cultura:
A Mauritânia é um país de cultura tradicionalmente nómada. Toda a sua estrutura social é tribal. A maioria dos habitantes actuais do país eram antigos comerciantes e criadores de gado nómadas. Uma grande percentagem da população é analfabeta, especialmente as mulheres. A Mauritânia, juntamente com Madagáscar, é um dos únicos dois países do mundo que não utilizam o sistema decimal para a sua moeda, cuja unidade básica, o ouguiya, é composto por cinco khoums.



Cuscuz dos berberes, alimento básico na maior parte das regiões da Mauritânia.
É preparado com farinha de milho, sêmola de trigo duro e cevada.


Principais recursos naturais:
Ferro, petróleo e ouro.


Datas comemorativas:
Dia nacional – 28 de Novembro – Celebra a data da independência, da França, em 1960.



Símbolos nacionais:
Bandeira nacional;
Brasão de armas;
Hino nacional – “Nachid al-watani al-Mauritani” - (em árabe: نشيد وطني موريتاني)
Insígnia da Força Aérea da Mauritânia.

Insígnia da Força Aérea da Mauritânia


Lema:
شرف إخاء عدل
Francês: “Honneur, Fraternité, Justice” - Português: "Honra, Fraternidade, Justiça".


Capital:                                               Línguas oficiais:
Nouakchott                                        Árabe, francês e alguns idiomas nativos

Vista de Nouakchott, capital da Mauritânia



Moeda oficial:                                                 Tipo de Governo:
Ouguiya (MRO)                                               República islâmica


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
27 de Outubro de 1961


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU – Organização das Nações Unidas;
  • ANWFZ – Tratado Africano para a Formação de uma Zona Livre de Armas Nucleares;
  • BAFD – Banco Africano de Desenvolvimento;
  • BIRD – Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento;
  • COI – Comité Olímpico Internacional;
  • ECOWAS –  Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (foi membro entre 1975 e 2000);
  • FMA – Fundo Monetário Árabe;
  • Grupo dos 77 – Nações em desenvolvimento;
  • ICDO – Organização Internacional de Protecção Civil;
  • INTERPOL – Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IPU – União Inter-Parlamentar;
  • IRENA – Agência Internacional para as Energias Renováveis;
  • LEA – Liga dos Estados Árabes;
  • MIGA – Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • OCI – Organização para a Cooperação Islâmica;
  • OIF – Organização Internacional da Francofonia;
  • OIM – Organização Internacional para as Migrações;
  • OMC – Organização Mundial do Comércio;
  • OPCW Organização para a Proibição de Armas Químicas;
  • RAMSAR Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • UA – União Africana;
  • UIC – União Internacional dos Caminhos-de-Ferro;
  • UMA – União do Magrebe Árabe;
  • WCO – Organização Mundial das Alfândegas;
  • WIPO – Organização Mundial da Propriedade Intelectual;
  • WH – Património Mundial (UNESCO);
  • WNBR – Rede Mundial de Reservas da Biosfera (UNESCO);
  • ICH – Património Cultural e Imaterial da Humanidade (UNESCO);
  • MWR – Registo da Memória do Mundo (UNESCO).


Missões diplomáticas da Mauritânia:
África do Sul - Arábia Saudita - Argélia - Alemanha - Bélgica - Brasil - Canadá - China - Costa do Marfim - Egipto - Emirados Árabes Unidos - Espanha - Estados Unidos - Iémen - Itália - Japão -Jordânia - Kuwait - Líbia - Mali - Marrocos - Qatar - Reino Unido - Rússia - Senegal - Síria - Suíça - Tunísia - União Europeia (Bruxelas).


Património Mundial (UNESCO):
  • Parque nacional Banc d’Arguin (1989) – Situado ao longo da costa do Atlântico, este parque abarca uma grande extensão de dunas, pântanos costeiros, ilhotas e águas pouco profundas ao longo do litoral. A aspereza do deserto e a biodiversidade da zona marítima criaram uma paisagem terrestre e marítima excepcionalmente contrastante. Este parque serve de refúgio de inverno a uma grande variedade de aves, sendo o habitat de várias espécies de tartarugas marinhas e golfinhos, que os pescadores utilizam para localizar os cardumes de peixes.
  • Antigos sítios das Ksour de Ouadane, Chinguetti, Tichitt e Oualata (1996) – As "Ksour" ("cidades fortificadas") fundadas nos Séculos XI e XII para responder às necessidades das caravanas que atravessavam o deserto do Sahara, foram centros comerciais e religiosos que se converteram em centros de difusão da cultura islâmica. O seu tecido urbano, formado entre os Séculos XII e XVI, foi preservado de forma admirável, com as suas casas providas de pátios apinhados ao longo de ruas estreitas, à volta de um quadrado em cujo centro se situa a mesquita com o seu minarete. Estes sítios são ilustrativos do modo de vida tradicional das populações do Sahara Ocidental, centrada no povo nómada.

Antiga Torre de Ouadane (UNESCO)



Património Cultural e Imaterial da Humanidade (UNESCO):
  • A epopeia mourisca de T’heydin (2011) – Requer medidas urgentes de salvaguarda. O T’heydin inclui dezenas de poemas épicos que exaltam os feitos gloriosos de emires e sultões mouros. Destaca os valores ancestrais subjacentes ao modo de vida da comunidade moura da Mauritânia e é um expoente literário e artístico da língua hasaniya. Os griots interpretam essa língua com o acompanhamento de tambores e instrumentos de cordas tradicionais, como o alaúde e a harpa. São eles que preservam a memória colectiva da sociedade, através dos poemas, transmitindo as suas habilidades e conhecimentos de pais para filhos, ao longo das gerações. Os griots jovens aprendem primeiro a tocar os instrumentos musicais antes de se iniciarem na tradição poética.


Rede Mundial de Reservas da Biosfera (UNESCO):
  • Reserva do delta do Rio Senegal (2005) – Partilhado com o Senegal. Situada no delta do Rio Senegal, esta reserva da biosfera transfronteiriça apresenta poucas variações de altitude, devendo a sua biodiversidade à sua vasta rede hidrográfica, que se divide em várias bacias. A paisagem é muito diversa e inclui planícies de inundação alimentadas por água de subida natural ou artificial do rio (através de obras hidráulicas), remansos, lagos e pelo mar. O ecossistema é constituído por zonas húmidas, savana tropical, mangueiras, sistemas marinhos e lagoas.

Mapa com a localização do Rio Senegal


Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre

Ano Novo

1 de Janeiro - Dia de Ano Novo


Ver Efemérides - 1 de Janeiro 

    




     
     Em todo o mundo, o Ano-Novo é um evento que acontece quando uma cultura ou religião celebra o fim de um ano e o início do próximo. Todas as culturas que têm calendários anuais celebram o Ano-Novo.
O Dia de Ano Novo é comemorado a 1 de Janeiro nos países que adoptaram o calendário gregoriano. Noutros países e/ou culturas, o dia de Ano Novo varia consoante o calendário adoptado ou consoante os costumes sociais ou religiosos desses países.

     A celebração do Ano Novo é também chamada de Réveillon, termo oriundo do verbo francês réveiller, que significa "acordar/despertar". Neste sentido significa "despertar do ano". Esta palavra surgiu no século XVII para identificar os eventos sofisticados entre os nobres franceses, onde se incluíam os faustosos jantares, que se prolongavam até depois da meia-noite, em vésperas de datas importantes. Com o passar do tempo, o Réveillon ficou restrito à passagem do Ano Novo.

Celebração do Ano Novo em Sidney, Austrália, uma das maiores celebrações do mundo.


História

     O Ano Novo foi consolidado na maioria dos países apenas há cerca de 500 anos. Desde o calendário Babilónico (2.800 a.C.) até à implementação do calendário Gregoriano pelo Papa Gregório XIII (1502-1585) em 24 de Fevereiro de 1582, o Reveillon mudou muitas vezes de data.


     A primeira comemoração ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a.C. e era conhecida como "Festival de Ano Novo".
     Na Babilónia, a festa começava por ocasião do Equinócio da Primavera, entre 19 e 21 de Março, data em que os espiritualistas, ainda hoje, iniciam e comemoram o chamado "Ano Novo Esotérico".

     Os Assírios, Persas, Fenícios e Egípcios comemoravam o Ano Novo no mês de Setembro (dia 23). Os Gregos, celebravam o início de um novo ciclo entre os dias 21 e 22 do mês de Dezembro.

     Os Romanos foram os primeiros a estabelecerem um dia para a comemoração desta grande festa, em 753 a.C.. O Ano Novo começava em 1 de Março (que era o primeiro mês do ano), por ser a altura das festas romanas para celebrar a Estação mais florida do ano: A Primavera.

     No Ocidente, a comemoração do Ano Novo teve início num decreto do governador romano Júlio César, que fixou o dia 1 de Janeiro como o Dia do Ano Novo em 46 a.C., quando foi adoptado o calendário Juliano.

     Desde o início do século XVI (cerca de 1500) o Ano Novo passou a ser festejado em 25 de Março, data que marcava a chegada da Primavera. As festas duravam uma semana e terminavam em 1 de Abril.

     Em 1582, a Igreja Católica mudou o início do ano para 1 de Janeiro, quando adoptou o calendário Gregoriano. Mas alguns franceses conservadores quiseram resistir à mudança e mantiveram a tradição de festejar o Ano Novo em 25 de Março (até 1 de Abril). Muitas pessoas começaram ridicularizar e a pregar partidas aos conservadores, enviando presentes estranhos e convites para festas que não existiam. Em França, estas brincadeiras ficaram conhecidas como "plaisanteries".
     Nasceu assim o "Dia das Mentiras", que era a falsa comemoração do Ano Novo. Ainda hoje se mantém o dia 1 de Abril como o "Dia das Mentiras", embora seja mais para pregar mentiras sem maldade.


Origem

     O nome do mês de Janeiro deriva do nome de Jano, deus romano que tinha duas faces - uma voltada para a frente (visualizando o futuro) e outra voltada para trás (visualizando o passado).  Os romanos dedicavam a Jano, o «deus dos portais e dos princípios, das vindas e das idas», simbolizando o conhecimento do passado e do futuro. Era o protector dos assuntos concretos e abstractos: das portas (Janue) das casas, do começo do dia, do mês e do ano, daí que o primeiro mês se chame Janeiro (Januarius). Os romanos faziam sacrifícios a Jano no início de um novo ano, esperando que estes sacrifícios lhes trouxesse os favores do deus nos meses que se seguiam.

     Janeiro foi acrescentado ao calendário por Numa Pompílio (715-672 a.C.), sucessor de Rómulo, personagem histórica-mítica que, segundo Plutarco, teria fundado Roma em 21 de Março de 753 a.C. 


Celebração moderna

     A passagem do Ano Novo é hoje celebrada por todo o mundo e, normalmente, envolve queima de fogos de artifício em festas públicas, reuniões familiares ou com amigos, jantares ou ceias festivas e diferentes tipos de promessas e simpatias, onde se deseja Paz, Felicidade, Saúde, Amor e Prosperidade!.



A todos os leitores, um FELIZ e PRÓSPERO ANO NOVO!


O Nascimento de Cristo na Pintura Universal

Painel de Azulejos em Gilmonde, Barcelos, Portugal. (Fábrica Aleluia, Aveiro, 1988)


O Nascimento de Cristo na Pintura Universal
Deste o Século IV que o Nascimento de Cristo tem sido um tema maior na arte Ocidental. As representações artísticas do nascimento de Jesus, celebradas durante o Natal, são baseadas nas narrativas da Bíblia Sagrada, principalmente nos Evangelhos segundo São Mateus e São Lucas.

A arte Cristã compreende imensas formas de representação da Virgem Maria e do menino Jesus. Uma parte significativa são composições que representam a Madona e o Menino ou a Virgem e o Menino, não sendo normalmente representações directas de cenas da Natividade, e sim objectos simbólicos que representam determinada faceta ou atributo da Virgem Maria ou de Jesus. Pelo contrário, as cenas da Natividade são assumidamente ilustrativas e incorporam imensos detalhes narrativos, sendo um elemento comum nas sequências que ilustram os temas tanto da Vida de Cristo como da Vida da Virgem.

Nascimento de Jesus: Pormenor da frente do Sarcófago romano paleo-cristão de Flavio Stilicone
(em latim: Flavius Stilicho, c. 359-408), capitão romano de origem bárbara, patrício do Império Ocidental.
Data de cerca de 385 d.C.. É preservado na sua posição original, abaixo do púlpito da Basílica de
Sant'Ambrogio, em Milão. Itália. Existe uma cópia no Museu da Civilização Romana, em Roma.
É uma das mais antigas representações conhecidas da Natividade. Foto de Giovanni Dall'Orto (2008). 


A Natividade tem sido representada em diferentes suportes, tanto pictóricos como escultóricos. Nos suportes pictóricos incluem-se murais, pintura de painel, iluminuras, vitrais e pintura a óleo. O tema da Natividade é frequentemente usado em retábulos, conjugando elementos de pintura com escultura. Nas representações na arte da escultura incluem-se miniaturas de marfim, arte tumulária, e elementos arquitectónicos como capitéis, entalhes de portas, e estatuária.  

Além de «O Nascimento de Cristo» foram igualmente criados, entre outros, temas que se relacionam com a Natividade, como por exemplo:
  • Natividade;
  • A Natividade;
  • Natividade de Jesus Cristo;
  • Nascimento de Jesus Cristo;
  • Nascimento de Jesus;
  • Adoração dos Pastores;
  • Adoração dos Magos;
  • Adoração dos Reis;
  • Adoração dos Reis Magos...entre outros.
Este tema foi amplamente retratado na cultura universal, tanto na escultura como na pintura e noutras artes.
     Na Pintura Universal é quase interminável a lista de pintores que ilustraram o tema do Nascimento de Jesus Cristo.
Sem pretender ser demasiado exaustivo, na passagem deste Natal destaco alguns pintores, associados por algumas épocas e correntes da História da Pintura Universal (a negro, os autores dos quadros aqui representados):


PINTURA OCIDENTAL
1. IDADE MÉDIA
1a - Arte Bizantina (Séc. VI - Séc. XV):
Mestre de Vyšší Brod, pintor anónimo da Boémia (activo à volta de 1350).

"Natividade", do Altar de Vyšší Brod e do Mestre com o mesmo nome, à volta de 1350,
Galeria Národni, Praga, República Checa.


1b - Pré-Renascimento (Séc. XI - Séc. XV):
Pietro Cavallini (c.1240-c.1330), italiano;
Giotto di Bondone (c.1266-1337), italiano.

"Natividade", c. 1310, fresco do pintor italiano Giotto di Bondone (c.1266-1337),
Basílica de São Francisco de Assis, Assis, Itália.


1c - Gótico (Séc XII - Séc. XVI):
"Natividade", (entre 1420 e 1426), óleo sobre painel
do pintor flamengo Robert Campin (c.1380-c.1444),
Meseu de Belas Artes de Dijon, França. 
Bernardo Daddi (1280-1348), italiano;
Robert Campin (c.1380-c.1444), holandês;
Fra Angélico (c.1400-1455), italiano;
Rogier van der Weyden (1400-1464), flamengo;
Dirk Bouts (c.1415/20-1475), flamengo;
Hugo van der Goes (1440-1482), flamengo;
Martin Schongauer (c.1448-1491), alemão;
Geertgen tot Sint Jans (c.1460-c.1490), holandês.


1d - Gótico Internacional (final Séc. XIV - início Séc. XV):
Duccio di Buoninsegna (c.1255-c.1319), italiano;
Lorenzo Monaco (c.1370-1425), italiano;
Conrad von Soest (1370-1422), alemão;
Stefan Lochner (c.1400/10-1451), alemão;
Robert Campin (c.1375-1444), holandês.


"A Adoração dos Reis" (Altar Monforte), cerca de 1470, óleo sobre madeira de carvalho do
pintor flamengo Hugo van der Goes (1440-1482), Gemäldegalerie, Berlim, Alemanha.


"Nascimento de Jesus", cerca de 1490,
óleo sobre madeira do pintor holandês
Geertgen tot Sint Jans (c.1460-c.1490),
National Gallery, Londres, Reino Unido.
(uma das poucas pinturas que ilustra o
nascimento de Jesus durante a noite)
Pormenor do tríptico "Altar da Paixão", 1403,
óleo sobre madeira do pintor alemão
Conrad von Soest (1370-1422), Igreja de
São Nicolau, Bad Wildungen, Alemanha.


"A Adoração dos Magos", cerca de 1422, têmpera sobre madeira do pintor italiano
Lorenzo Monaco (c.1370-1425), Galleria degli Uffizi, Florença, Itália.



2. IDADE MODERNA:
2a - Gótico tardio (Séc. XV - Séc. XVI):
Gerard David (c.1460-1523), holandês;
Geertgen tot Sint Jans (1460-1490), holandês.


"Adoração dos Pastores", Séc. XV, óleo sobre painel do pintor Gerard David (c.1460-1523),
Museu de Belas Artes de Budapeste, Hungria.



2b - Renascimento (Séc. XV - Séc. XVI):
Giotto di Bondone (1266/7-1337), italiano;
Fra Angélico (c.1400-1455), italiano;
Jacques Daret (1404-1470), flamengo;

"A Natividade", entre 1434 e 1435, óleo sobre painel do pintor flamengo Jacques Daret (1404-1470),
Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid, Espanha.

Filippo Lippi (1406-1469), italiano;
Petrus Christus ( ? -1475/76), flamengo;
"A Natividade", cerca de 1450, óleo sobre painel
do pintor flamengo  Petrus Christus ( ? -1475/76),
National Gallery of Art, Washington D.C., EUA. 
Piero della Francesca (1415-1492), italiano;
Andrea Mantegna (c.1431-1506), italiano;
Sandro Botticelli (1445-1510), italiano;
Francesco Botticini (c.1446-1498), italiano;
Pietro Perugino (c.1448-1523), italiano;
Domenico Ghirlandaio (1449-1494), italiano;
Hieronymus Bosch (1450-1516), holandês;
Ambrogio Bergognone (1453/5-1523/4), italiano;
Matthias Grünewald (1455/83-1528), alemão;
Lorenzo Costa, o Velho (1460-1535), italiano;
Ambrogio Bergognone (1470-1523/24), italiano;
Albrecht Dürer (1471-1528), alemão;
Grão Vasco (c.1475-c.1542), português;
Giorgione (c.1477-1510), italiano;
Albrecht Altdorfer (c.1480-1538): alemão;
Ridolfo del Ghirlandaio (1483-1561), italiano;
Hans Baldung (c.1484-1545), alemão;
Corregio (c.1489-1534), italiano;
El Greco (1541-1614), grego/espanhol;
Pieter Bruegel, o Jovem (1564-1636), belga.

"A Adoração dos Magos", cerca de 1475, tempera sobre madeira do pintor
italiano Sandro Botticelli (1445-1510), Galleria degli Uffizi, Florença, Itália.

"Adoração dos Pastores", 1482-85, óleo sobre painel do pintor italiano Domenico Ghirlandaio (1449-1494),
Capela Sassetti, Igreja da Santa Trindade, Florença, Itália.

"Adoração dos Magos", 1501 a 1506, óleo sobre madeira do pintor português
Grão Vasco (c.1475.c.1542), Museu Grão Vasco, Viseu, Portugal.
"Adoração dos Magos" "Adoração dos Magos", c. 1530/35,  óleo sobre cal do pintor alemão
Albrecht Altdorfer (c.1480-1538), Museu de Arte Städel, Frankfurt am Main, Alemanha. 

"Adoração dos Reis Magos", 1568, óleo sobre painel do pintor grego/ espanhol
El Greco (1541-1614), Museu Soumaya, Cidade do México, México.


2b - Alto Renascimento (Séc. XV - Séc XVI):
Leonardo da Vinci (1452-1519), italiano;
"Natividade", 1523, óleo sobre painel do pintor italiano
Lorenzo Lotto (1480-1556), National Gallery of Art,
Washington D.C., Estados Unidos.
Lorenzo Lotto (1480-1556), italiano;
Rafael Sanzio (1483-1520), italiano.

2b - Maneirismo (c. 1530 - 1580):
Agnolo Bronzino (1503-1572), italiano;
Jacopo Bassano (1510-1592), italiano;
Federico Barocci (1528-1612), italiano;
Maarten de Vos (1532-1603), flamengo;
Cesare Nebbia (C. 1536-C. 1622), italiano;
Camillo Procaccini (1561-1629), italiano.


2d - Barroco (Séc XVII - Séc. XVIII):
Jan Gossaert (Mabuse) (1478-1532), flamengo;
El Greco (1541-1614), grego/espanhol;
Louis Cretey (c.1635-c.1732), francês;
Charles Poerson (1653-1725), francês;
Caravaggio (1571-1610), italiano;
Peter Paul Rubens (1577-1640), flamengo;
Gerard van Honthorst (1592-1656), holandês;
Georges de La Tour (1593-1652), francês;
Josefa de Óbidos (1630-1648), portuguesa;
Hyacinthe Rigaud (1659-1743), francês.

"Natividade", 1597, óleo sobre tela do pintor italiano
Federico Barocci (1528-1612), Museu do Prado,
Madrid, Espanha.





2e - Classicismo 
Gerard van Honthorst (1590-1656), flamengo;
Charles Le Brun (1619-1690), francês.


2f - Pintura noutros espaços do Ocidente:
Brasil:
Fúlvio Pennacchi (1905-1992), italo-brasileiro.
"A Adoração dos Magos", 1510/15, óleo sobre carvalho do pintor  flamengo Jan Gossaert
(1478-1532), National Gallery, Londres, Reino Unido.
"Adoração dos Magos", 1633/34, óleo sobre tela do pintor flamengo Peter Paul Rubens
(1577-1640), King's College Chapel, Universidade de Cambridge, Reino Unido.

"Adoração dos Pastores", 1622, óleo sobre tela do pintor holandês Gerard van Honthorst (1592-1656),
Museu Wallraf-Richartz, Colónia, Alemanha.

"Adoração dos Pastores", 1669, óleo sobre tela da pintora portuguesa Josefa de Óbidos (1630-1684),
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal.

"A Adoração dos Pastores", 1689, óleo sobre tela do pintor francês Charles Le Brun (1619-1690),
Museu do Louvre, Paris, França.

"Natividade", cerca de 1405, do pintor russo
Andrei Rublev (c.1360/70-c.1427/30), 
Catedral da Anunciação, Kremlim, Moscovo, Rússia.




3. IDADE CONTEMPORÂNEA

Romantismo (Séc. XIX):
Adrian Ludwig Richter (1803-1884), alemão.


3.a - Irmandade Pré-Rafaelita (1848-c.1900):
Arthur Hughes (1832-1915), inglês.


Arte russa:
Andrei Rublev (c.1360/70-c.1427/30), russo.






OUTROS:
  1. Manuscrito "Hortus deliciarum" (O Jardim das Delícias), compilado por Herrad de Landsberg (1130-1195), freira abadessa da Alsácia, França;
  2. Códice Bíblico: Codex Purpureus Rossanensis (Séc. VI), Manuscrito Iluminado Bizantino, Museu Diocesano, Rossano, Itália;
  3. Mestres Italo-Bizantinos da Abadia de Sant'Angelo in Formis, Capua, Itália;
  4. Les très riches heures du duc de Berry, 1410 (Gótico Internacional), Museu Condé, Chantilly, França.

"Natividade de Cristo", cerca de 1180, ilustração medieval do manuscrito "Hortus Deciliarum"
(O Jardim das Delícias), compilado por Herrad de Landsberg (1130-1195),
freira abadessa da Alsácia, França.


"Natividade", entre 1411 e 1416, dos Irmãos Limgourg, pintores holandeses,
iluminura do Livro de Horas "Les très riches heures du Duc de Berry",
Museu Condé, Chantilly, França.

O Nascimento de Cristo na História

Painel de Azulejos em Gilmonde, Barcelos, Portugal. (Fábrica Aleluia, Aveiro, 1988)


Análise histórica
A maioria dos estudiosos da corrente principal (ou mainstream: pensamento ou gosto corrente da maioria da população) não acredita que os relatos da Natividade, de Lucas e Mateus, sejam historicamente factuais. Outros acreditam que esta discussão é secundária, pois os evangelhos foram escritos primariamente como documentos teológicos e não como cronologias históricas.
Como exemplo, citam que Mateus presta muito mais atenção ao nome da criança e às suas implicações teológicas do que ao evento do nascimento em si e, segundo Karl Rahner (1904-1984), sacerdote católico jesuíta de origem germânica e um dos mais influentes teólogos do Século XX, os evangelistas demonstram pouco interesse em sincronizar os episódios do nascimento ou da vida posterior de Jesus com a história secular da época.
Como resultado, os estudiosos modernos geralmente não fazem uso das narrativas da Natividade como fonte de informações históricas. Seja como for, a narrativa do nascimento contém algumas informações biográficas úteis. O facto de Jesus ter nascido perto do fim do reinado de Herodes ou o nome de seu pai (José), são considerados "historicamente plausíveis".

Jesus Cristo como Bom Pastor. Pintura de tecto dos
primeiros cristãos (cerca de 250 d.C.) nas Catacumbas de
S. Calixto, em Roma.


O Jesus histórico
O termo «Jesus histórico» refere-se a uma tentativa de reconstruções académicas da figura de Jesus de Nazaré, levadas a cabo no primeiro século. Estas reconstruções são baseadas em métodos históricos, incluindo a análise crítica dos evangelhos canónicos como a principal fonte para a sua biografia, juntamente com a consideração do contexto histórico e cultural em que Jesus viveu.
A pesquisa sobre o Jesus histórico teve início no Século XVIII e desenvolveu-se, até aos nossos dias, em três fases, preocupadas em reconstruir os factos históricos e a pessoa humana de Jesus, que ficavam como que escondidos atrás das afirmações dogmáticas e de fé das Igrejas.

Página do «Codex Vaticanus B», do Século IV (300-325), Biblioteca do Vaticano, onde
termina a leitura de 2 Edras e começa a leitura de Hebreus. É um dos mais
antigos manuscritos da Bíblia Grega (Antigo e Novo Testamento).
Os evangelhos canónicos são a principal fonte de informação sobre Jesus histórico.


A busca de Jesus Cristo Histórico
  • David Friedrich Strauss (1808-1874), teólogo e filósofo alemão, foi um dos pioneiros da busca de «Jesus Histórico». Aos 27 anos de idade, rejeitou todos os elementos sobrenaturais, classificando-os como elaborações míticas. A sua obra de 1835, "Das leben Jesu: Kritisch bearbeitet", foi uma das primeiras e mais influentes análises sistemáticas da história e da vida de Jesus, baseando-se na pesquisa histórica imparcial. Strauss considerou que os registos milagrosos da vida de Jesus nos Evangelhos, em termos de mitos, surgiram como resultado da imaginação das comunidades cristãs, que foram recontando as histórias e representaram eventos naturais como sendo milagres.

Imagem da Cripta dos Papas (Século III), catacumbas de S. Calixto, Roma. 


Ao longo dos últimos 150 anos, os historiadores e estudiosos bíblicos têm feito grandes progressos na busca do Jesus Histórico entre os quais se destacam:
  • Joseph Ernest Renan (1823-1892), escritor, filósofo, teólogo, filólogo e historiador francês. Destacou-se principalmente pelas suas controversas obras sobre Jesus de Nazaré e o Cristianismo Primitivo, assim como pelas suas polémicas teorias acerca dos povos semitas e do Islão, os tipos de raças e o conceito «espiritual» de nação;
  • Joahannes Weiß (1863-1914), teólogo e protestante alemão e William Wrede (1859-1906), teólogo luterano alemão, trouxeram os aspectos escatológicos do ministério de Jesus para a atenção do mundo académico. Ambos eram apaixonadamente anti-liberais e as suas apresentações estavam orientadas para enfatizar a natureza incomum do ministério e ensinamentos de Jesus. Wrede escreveu sobre o tema do segredo messiânico do Evangelho de São Marcos, argumentando que era um método utilizado pelos primeiros cristãos para explicar que Jesus não pretendia proclamar-se a si mesmo como o Messias;
  • Albert Kalthoff (1850-1906), filósofo e teólogo reformador alemão, no seu livro "Existiu o Jesus Histórico?", editado em 1904, escreveu:

«Um Filho de Deus, Senhor do Mundo, nascido de uma virgem e ressuscitado após a morte, e o filho de um pequeno construtor com noções revolucionárias, são dois seres totalmente diferentes. Se um foi o Jesus histórico, o outro certamente não o era. A verdadeira questão da historicidade de Jesus não é simplesmente se alguma vez houve um Jesus entre os inúmeros candidatos ao messianismo na Judeia, mas se temos de reconhecer a natureza histórica deste Jesus nos Evangelhos e se ele foi considerado o fundador do cristianismo».

  • Albert Schweitzer (1875-1965), médico, filósofo, músico, pastor e teólogo protestante alemão nascido na Alsácia, que fazia parte do Império Alemão e faz parte, actualmente, da região do Alto Reno, em França. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1952 por fundar o Hospital Lambaréne, no Gabão. Com seu trabalho revolucionário “Von Reimarus zu Wrede” (The Quest of the Historical Jesus; A Critical Stdudy of its Progress from Reimarus to Wrede) - ("A busca de Jesus Histórico: Um Estudo Crítico da sua Evolução desde Reimarus a Wrede"), iniciado em 1906, até ao controverso ”Jesus Seminar”, muito foi aprendido. Schweitzer denunciou a subjectividade dos diversos autores, que introduziram as suas próprias preferências no carácter de Jesus e argumentou que todas as apresentações de Jesus do Século XIX tinham maximizado ou negligenciado a mensagem apocalíptica de Jesus. Desenvolveu a sua própria versão do retrato de Jesus no contexto apocalíptico judeu. Convencido de que a busca de um Jesus histórico seria inútil, abandonou os estudos bíblicos e foi para África como missionário e médico.

Albert Schweitzer

O objectivo destes estudiosos é examinar as provas de diversas fontes com a finalidade de as trazer em conjunto para que se possa elaborar uma reconstrução completa de Jesus.
O uso do termo do «Jesus Histórico» implica que a sua reconstrução será diferente daquela que é apresentada no ensino do Cristo da Fé pelo Cristianismo. Assim, a montagem do Jesus histórico, às vezes, difere dos judeus, cristãos, muçulmanos ou crenças hindus.
A busca pelo Jesus histórico iniciou-se com o trabalho de Hermann Samuel Reimarus no Século XVIII. Dois livros, ambos chamados "A Vida de Jesus", foram escritos por David Friedrich Strauss e publicados em alemão em 1835-1836. Ernest Renan publicou um livro em francês no ano de 1863. O Jesus histórico é conceptualmente diferente do Cristo da fé. Para os historiadores o primeiro é físico, enquanto o último é metafísico. O Jesus histórico é baseado em evidências históricas. Cada vez que um rolo de papel novo é descoberto ou fragmentos de um novo Evangelho são encontrados, o Jesus histórico é modificado.

A Palestina na época do nascimento de Jesus, 4 a.C. a 30 d.C.. Inclui o domínio de Herodes, a cor de rosa,
o domínio de Filipe, filho de Herodes, a verde e os territórios controlados pelos sírios 
(mais tarde pelos romanos) a cor de laranja.




O Nascimento de Jesus Cristo na História
A primeira evidência histórica para celebrar o nascimento de Cristo surgiu na primeira metade do Século III, com Hipólito (170-236), bispo de Roma. Até ao ano 300 d.C., o nascimento de Jesus era comemorado pelos cristãos em diferentes datas. Em 354 d.C. o Papa Libério ordenou que os cristãos celebrassem o nascimento de Cristo no dia 25 de Dezembro. O Imperador Romano, nesse tempo, era Justiniano.
Provavelmente, Hipólito escolheu esta data porque em Roma já se comemorava o “Dia de Saturno” (festa chamada de Saturnália). A religião mitraica dos persas (inimiga dos cristãos) comemorava neste dia o "natalis invicti solis" - ("o nascimento do vitorioso Sol”).
Em 440 d.C. foi oficializado o 25 de Dezembro como o dia do nascimento de Jesus Cristo. Com a finalidade de cristianizar os cultos pagãos, o clero corrupto da era das trevas (de Constantino até à Idade Média), tentou por todos os meios conciliar o paganismo com o cristianismo.

"Natividade", 1746, 1754. Painel de azulejos portugueses. Basílica do
Senhor do Bonfim, São Salvador da Baía, Brasil.


O nascimento de Jesus na Bíblia Sagrada
O Nascimento de Jesus, chamado também de Natividade, é uma referência aos relatos do nascimento de Jesus presentes principalmente nos evangelhos de Lucas e Mateus, mas também em alguns textos apócrifos.
Os evangelhos canónicos de Lucas e Mateus contam que Jesus nasceu em Belém, na província romana da Judeia, de uma mãe ainda virgem. No relato do Evangelho de Lucas, José e Maria viajaram de Nazaré para Belém para comparecer a um censo. Jesus nasceu durante a viagem numa simples manjedoura. Os Anjos proclamaram-no salvador de todas as pessoas e os pastores vieram adorá-lo. No relato de Mateus, foram os astrónomos que seguiram uma estrela até Belém para levar presentes a Jesus, nascido como o "Rei dos judeus". O rei Herodes ordenou em seguida o massacre de todas as crianças masculinas com menos de dois anos de idade, mas a família de Jesus conseguiu escapar para o Egipto. Depois da morte de Herodes, a família voltou para Nazaré.
Muitos académicos defendem que as duas narrativas são contraditórias e não são históricas. Outros estudiosos cristãos defendem, ao contrário, que não existe nenhuma contradição, destacando as semelhanças entre os relatos. Finalmente, há os que entendem que a discussão sobre a historicidade dos evangelhos é secundária, argumentando que eles foram escritos como documentos teológicos e não como cronologias históricas.

Parte superior esquerda de um sarcófago paleocristão, em mármore, de
Marcus Claudianus (330-335 d.C.). É uma das mais antigas representações
da Natividade que se conhecem. Museu Nacional de Roma, Itália.


Narrativa bíblica
Mateus 1
18 Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.
19 Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente.
20 Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: "José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo.
21 Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados".
22 Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta:
23 "A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamarão Emanuel", que significa "Deus connosco".
24 Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa.
25 Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.

"O evangelista Mateus inspirado peloAnjo", 1661, óleo sobre tela
do pintor holandês Rembrandt, Museu Louvre-Lens, Lens, França. 


Lucas 2
1 Naqueles dias, César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano.
2 Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria.
3 E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se.
4 Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galileia para a Judeia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi.
5 Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho.
6 Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebé,
7 e ela deu à luz o seu primogénito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

"São Lucas mostra uma pintura da Virgem com o Menino", 1562/1563,
do pintor italiano Guercino, Museu de Arte Nelson-Atkins, Kansas City, Missouri, EUA.

A data do nascimento de Jesus
Os relatos dos evangelhos de Mateus e Lucas não mencionam uma data ou estação do ano para o nascimento de Jesus.
Karl Rahner (1904-1984), sacerdote católico jesuíta de origem germânica e um dos mais influentes teólogos do Século XX, afirma que os evangelhos, de forma geral, não provêem informações cronológicas suficientes para satisfazer as demandas de um historiador moderno. Mas tanto um quanto outros associam o nascimento de Jesus com a época de Herodes, o Grande e, por isso, a maior parte dos estudiosos geralmente assume uma data para o nascimento entre 6 a 4 a.C..

Porém, muitos estudiosos observam nos relatos uma contradição, pois enquanto o Evangelho de Mateus localiza o nascimento de Jesus durante o reinado de Herodes, que morreu em 4 a.C., o Evangelho de Lucas o faz dez anos depois da morte de Herodes, durante o censo de Quirino, descrito pelo historiador Josefo, filho de Mateus (37 a.C.-100 a.C.). A maioria acredita que Lucas se teria simplesmente enganado, enquanto outros tentaram reconciliar o relato com os detalhes fornecidos por ele, utilizando abordagens que vão desde "erros gramaticais" — a tradução da palavra grega prote, utilizada em Lucas, deveria ser lida como "registo" (censo) antes de Quirino ser governador da Síria — até argumentos arqueológicos e referências a Tertuliano sugerindo um "censo em duas fases" — que teria envolvido um registo inicial, baseado em Lucas 2:2, que cita um "primeiro recenseamento".

Tríptico de El Greco (1541-1514). Tempera sobre painel, Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina,
Monte Sinai, Israel. (Não confundir com Tríptico de Modena, do mesmo autor, existente na
Galeria Estense, em Modena, Itália.)


Apesar da celebração do Natal em Dezembro, nem Lucas, nem Mateus mencionam uma estação do ano para o nascimento de Jesus. Porém, argumentos académicos sobre o realismo dos pastores deixando os seus rebanhos pastando no inverno já foram propostos, tanto disputando um nascimento no inverno (no hemisfério norte) para Jesus quanto defendendo-o com base na brandura dos Invernos em Israel e nas regras rabínicas sobre ovelhas perto de Belém antes de Fevereiro.

Segundo Santo Agostinho, Pai da Igreja, no seu livro "De Trinitate" (4 volumes), a data do Natal foi estabelecida em 7 de Janeiro (hoje em dia modificada para 25 de Dezembro) porque uma tradição afirma que a concepção de Jesus foi no dia 8 de Abril e a gestação ocorreu durante 9 meses exactos. Eis o que diz o Pai da Igreja:
"Octauo enim kalendas apriles conceptus creditur quo et passus; ita monumento nouo quo sepultus est ubi nullus erat positus mortuorum nec ante nec postea congruit uterus uirginis quo conceptus est ubi nullus eminatus est mortalium. Natus autem traditur octauo kalendas ianuarias."
("Para o oitavo dia do mês de Abril acredita-se que a concepção se realizou e que também sofreu; então, um sepulcro novo, onde ninguém havia sido posto, em consonância com a concepção no útero da virgem, que é uma menina de quem ele foi concebido e onde não houve estratagema de mortais. A tradição diz que nasceu no oitavo dia do mês de Janeiro.")

Altar sob a Igreja da Natividade, em Belém. A estrela de prata no chão marca
 o local onde Jesus Cristo nasceu, de acordo com a tradição cristã.


O Natal e o nascimento de Cristo
Neste artigo, embora utilize o título "Nascimento de Cristo", este poderia levar qualquer outro título que se relacionasse com este, como por exemplo:
  • Natividade;
  • Natividade de Jesus Cristo;
  • Nascimento de Jesus;
  • Nascimento de Cristo;
  • Adoração dos Pastores;
  • Adoração dos Magos;
  • Natal.....entre outros.
Estes temas já foram amplamente retratados na cultura universal, tanto na escultura como na pintura e noutras artes, já para não falar de variadíssimos artigos escritos...

Ver  Origem e significado do Natal